quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tempo de férias

E chega o tempo de férias


Florianópolis era uma cidade tranqüila

Faltava água

A Praça Getúlio Vargas enorme

Muitas formigas, árvores grandes, fontes sempre secas, bustos e placas

O que importava era que tinha espaços para brincar

Primas e primos

A casa do Vô, enorme

Era uma terra diferente

Mais silenciosa

Barulho só da araponga que “cantava” de tarde

Em algumas noites o batuque dos morros

De vez em quando boi de mamão

Carro era uma raridade

Com orgulho o Ney ou o Nilson, não sei, me mostraram um carro que o tio comprara, feio para danar, mas eles gostavam

O vô tinha um

Não sei nem como era

De tarde jogávamos dominó, futebol, brincávamos de pegar ou simplesmente brigávamos

Subir nas árvores era rotina

De tempos em tempos íamos às praias

Praia próximas, cheias de pedaras

Muito diferentes de Laguna

Até queanos depois

Meu pai fez uma casa na praia do Balneário

Lá aprendi a nadar com uma menina que nunca mais vi após aquelas férias era alegre, muito querida

E mergulhava

Pulava das pedras

Um dia errei

Era raso

Levei o mundo nos ombros e quando mergulhei do trapiche, fugindo do guarda da Esso

Não agüentei nadar até a margem, a praia

Disse para o Jônatas, vou parar, o braço sangrando

Tinha querido me abraçar aos pilares do trapiche

Ele, simplesmente, me disse, bóie

Assim fui sendo rebocado até a praia

Nunca dizia nada em casa apanhava

Mas na praia do Balneário, fase dos quinze anos, andava vendo as luzes da Ilha

Que maravilha!

E os pescadores

Lançando suas redes

Pegavam peixes, alguns brilhavam

A areia mole, o barulho das marolas, algumas gaivotas, assim era a noite

Maravilhosamente silenciosa

Não existia televisão nem novela

Genial

Quando muit

Depois de aprender

Jogávamos canastra

Aprendi a roubar

Ganhava sempre desisti

Perdeu a graça melhor arriscar

Minha irmã

Contudo continou trapacenado

Assim, em Laguna, depois de levar uma surra durante um mês, descobri que ela escondia tudo na dobra das calças

Não valeu!

E em Laguna

O trapiche, os botos, as dunas, que tempos bonitos

Naquela época os olhos, os ouvidos, o nariz, o paladar, tudo funcionava mostrando as maravilhas do nos cercava

A poluição não chegara

Voltei lá depois de alguns anos

A praia do Balneário vai vira pista de automóveis

As dunas são a base de filas de prédios

Ainda que vazios durante os anos

Cobriram o espaço dos caranguejos

E no verão, trazem gente demais, e lixo, e barulho, e escondem o mar

Bela e pobre Santa Catarina

Desperdiçou tanto

Ganhou alguns postos de trabalho

Perdeu outros, destruiu a Natureza...

Berço assustador

Berço assustador


A infância pode ser maravilhosa

Ou assustadora

Não é bom ter pesadelos sempre

Medo do escuro

Bronquite, não poder brincar, viver sob cuidados médicos

Pior, ser o menor da rua, o mais fraco, objeto de todas as maldades

Bom, entretanto, é enfrentar, lutar

Aos poucos crescemos, aprendemos, começamos a vencer

É interessante como as águas se dividem

Podem seguir um caminho fácil em direção ao oceano

Outras pulam cachoeiras, correm entre pedras, passam por planícies e montanhas

Assim ganham colorido, vidas diferentes, margens de diversas cores

Passamos por tudo isso

Valeu!

Aprendemos a lutar, a duvidar, a enfrentar vitórias e derrotas

Erramos e acertamos

Somos de uma geração que viu muito

Só para lembrar algumas questões, talvez não as mais importantes

Não falamos das principais

Elas são nossas pertencem a nossos segredos

,Mas todos de nossa geração viveram Suicídio de Vargas, Guerra da Coréia, Bombas e foguetes, Invasão da Hungria, Morte de Stalin, Cuba, assassinato de Kennedy, a renúncia do Jânio Quadros, a Revolução no Brasil, Yuri Gagarin e NASA, a invasão da Tchecoslováquia, Vietnam, a primavera de Paris, Afeganistão, AI5, Araguaia, morte de JK, Carlos Lacerda e João Goulart, Chile, Watergate, Guerra Fria, Abertura Política no Brasil, AIDS etc., Perestróica, Queda do Muro de Berlim ...

E querem que sejamos coerentes

Que tenhamos certezas

Reclamam respostas

Esperam convicções

Lealdades, companheirismos, ideologias, partidarismos, aí lembramos o preço de tudo isso

Da corrupção à violência

Que assustador é o ser humano!

Minhas Bicicletas

Minhas bicicletas


Minha primeira bicicleta era tricicleta.

Pernas tortas, o médico disse para meus pais que o triciclo seria o melhor remédio.

Deve ter dado certo, um pouco. Algum tempo depois ganhei, orgulhoso, um triciclo de rodas grossas. Tenho até hoje uma fotografia sentado, orgulhoso, de boné, sentado nessa bicicletinha...

Triciclo bom.

O desafio era subir o morro do Pedro II.

Era asfaltado. Descia a toda.

Primeiro soltava os pés, depois im braço.

O que desse.

Um dia não fiz a curva, dei uma pirueta no meio fio.

Uma vizinha disse para mãe.

Bronca.

E daí?

Voltamos, eu e a Sônia, a descer o morro que aos poucos perdeu a graça.

Uma noite de Natal ganhei uma bicicleta.

Não era byke, era bicicleta, daquelas robustas, sem marcha, freio no pé, o pneu não furava, tinha para lama e bagageiro.

Se minha bicicleta falasse.

Ela era forte e disposta que nem o dono.

Subir e descer o morro da Maternidade virou desafio.

Subir direto, aos poucos consegui.

Depois era descer com o vento no rosto.

Que maravilha.

Menos para a Lecy.

Quis nos imitar, caiu, não ficou um ]pedacinho de pele sem arranhão.

Foi uma bronca federal.

Mas a minha Erlan era fenomenal, não incomodava.

Podia andar saem medo.

Conhecia cda bairro de Blumenau. De noite ouvia o noticiário das bicicletas que tinham sido roubadas.

Elas tinham placas. O Reporter Catarinente, seu Reynaldo, não sabia.

Virou meu sogro, seria a mágica da bicicleta?

Blumenau era genial

Conhecia as ruas

Sabia onde ao meio dia existia cheiro de chucrute

As fábricas, impressionante

Na hora de troca de turno milhares de ciclistas apareciam

Senhoras de vestido comprido e suas bicicletas com telinhas para não prenderem a saia.

Senhores cansados pedalando, mas orgulhosos do trabalho que faziam

Aliá, Blumenau era diferente

Feio era não trabalhar

Pedinte, podia contar, era de fora

Todos faziam algo

Nem que fosse buraco de rosca

Terra violenta, não aceitava os fracos

O Rio Itajaí dava aulas

Até o ribeirão Garcia de vez em quando enchia, matava, como se a dizer, me respeitem

Assim vivíamos olhando o rio, as nuvens, o céu

E que nuvens

Não era qualquer uma

Sempre davam sinais de tormenta, de todas as cores e raios, ventos e pedras, até.

Gente estranha

Filhos de alemães, soldados da Primeira ou da Segunda Guerra, quem sabe das duas

Conheci até um que tinha uma perna de borracha

Havia sido radialista

E outros, e meu pai era um deles

Do litoral, Florianópolis, Tijucas, Lages, Itajaí, iam chegando, abrasileirando um ambiente germânico

Mostrando que a raça é fantasia, que a Terra é de todos

A vila ou cidade de Blumenau era um paraíso sub tropical cheia de flores e riachos, pitangas e amoras

Até carambolas a gente achava no mato

Onde nos embrenhávamos à medida que conhecíamos o caminho

E que florestas

Mais para os bairros as árvores, cheias de sabiás, eram tão altas e o mato fechado

Era fácil se perder

Felizmente sempre um riacho salvador dizia onde estava o Rio Itajaí

Blumenau cresceu

Agora tem arquivos de gente

Prédios cheios de pessoas distantes da terra, vendo televisão, andando de carros em ruas que mostram tabuletas alertando para as capivaras

Por que não os pedestres?

Blumenau ganhou gente estranha, como se nós não fôssemos, seríamos mais que os bugres?

Lá ainda tem vida

Qualquer espaço mais cuidado logo apresenta pássaros, cobras e peixes diferentes, ou melhor, nativos, daquelas épocas

Quando andando em direção ao Bom retiro

Cortando caminho eventualmente pisávamos em cima de alguma cobra ou a víamos saindo depressa para não ser machucada

Da. Frau Michle, repetindo a distinção, costurava bem

Mamãe a visitava sempre

Primeiro na Velha, depois no bom retiro

Eu e a Sônia brincávamos com o que sobrava, no chão,enquanto a mãe, como toda mulher, falava sem parar

E dos morros víamos a cidade com poucas casas

Era muito verde silenciosa

Barilhenta perto das fábricas

Ao longo da 7 de Setembro por onde caravanas de caminhões passavam levando toras de pinheiros

E minha Erlan

Paciente me esperava

Com ela ia para a aula, tremendo feito vara verde no inverno

Bagageiro cheio levando a “cesta básica” para o avô que resolveu aposentar antes do tempo

Indo ao mercado comprar, via de regra, algo diferente do que minha mãe pedira

Com ela andava

Não sabia que assim chamava atenção das mocinhas

Acabei conhecendo minha esposa assim...

E a bicicleta ficou em Blumenau, com muitas lembranças...

A Bíblia não menciona diretamente o termo médico "obesidade", mas aborda intensamente os princípios espirituais e comportamentais ligados ao cuidado com o corpo, à alimentação e ao autocontrole.

  https://santhatela.com.br/rafael/rafael-sao-jorge-e-o-dragao-1506/?attribute_pa_tamanho=fit&gad_source=5&gad_campaignid=2217353223...