terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tempo de férias

E chega o tempo de férias


Florianópolis era uma cidade tranqüila

Faltava água

A Praça Getúlio Vargas enorme

Muitas formigas, árvores grandes, fontes sempre secas, bustos e placas

O que importava era que tinha espaços para brincar

Primas e primos

A casa do Vô, enorme

Era uma terra diferente

Mais silenciosa

Barulho só da araponga que “cantava” de tarde

Em algumas noites o batuque dos morros

De vez em quando boi de mamão

Carro era uma raridade

Com orgulho o Ney ou o Nilson, não sei, me mostraram um carro que o tio comprara, feio para danar, mas eles gostavam

O vô tinha um

Não sei nem como era

De tarde jogávamos dominó, futebol, brincávamos de pegar ou simplesmente brigávamos

Subir nas árvores era rotina

De tempos em tempos íamos às praias

Praia próximas, cheias de pedaras

Muito diferentes de Laguna

Até queanos depois

Meu pai fez uma casa na praia do Balneário

Lá aprendi a nadar com uma menina que nunca mais vi após aquelas férias era alegre, muito querida

E mergulhava

Pulava das pedras

Um dia errei

Era raso

Levei o mundo nos ombros e quando mergulhei do trapiche, fugindo do guarda da Esso

Não agüentei nadar até a margem, a praia

Disse para o Jônatas, vou parar, o braço sangrando

Tinha querido me abraçar aos pilares do trapiche

Ele, simplesmente, me disse, bóie

Assim fui sendo rebocado até a praia

Nunca dizia nada em casa apanhava

Mas na praia do Balneário, fase dos quinze anos, andava vendo as luzes da Ilha

Que maravilha!

E os pescadores

Lançando suas redes

Pegavam peixes, alguns brilhavam

A areia mole, o barulho das marolas, algumas gaivotas, assim era a noite

Maravilhosamente silenciosa

Não existia televisão nem novela

Genial

Quando muit

Depois de aprender

Jogávamos canastra

Aprendi a roubar

Ganhava sempre desisti

Perdeu a graça melhor arriscar

Minha irmã

Contudo continou trapacenado

Assim, em Laguna, depois de levar uma surra durante um mês, descobri que ela escondia tudo na dobra das calças

Não valeu!

E em Laguna

O trapiche, os botos, as dunas, que tempos bonitos

Naquela época os olhos, os ouvidos, o nariz, o paladar, tudo funcionava mostrando as maravilhas do nos cercava

A poluição não chegara

Voltei lá depois de alguns anos

A praia do Balneário vai vira pista de automóveis

As dunas são a base de filas de prédios

Ainda que vazios durante os anos

Cobriram o espaço dos caranguejos

E no verão, trazem gente demais, e lixo, e barulho, e escondem o mar

Bela e pobre Santa Catarina

Desperdiçou tanto

Ganhou alguns postos de trabalho

Perdeu outros, destruiu a Natureza...

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