E chega o tempo de férias
Florianópolis era uma cidade tranqüila
Faltava água
A Praça Getúlio Vargas enorme
Muitas formigas, árvores grandes, fontes sempre secas, bustos e placas
O que importava era que tinha espaços para brincar
Primas e primos
A casa do Vô, enorme
Era uma terra diferente
Mais silenciosa
Barulho só da araponga que “cantava” de tarde
Em algumas noites o batuque dos morros
De vez em quando boi de mamão
Carro era uma raridade
Com orgulho o Ney ou o Nilson, não sei, me mostraram um carro que o tio comprara, feio para danar, mas eles gostavam
O vô tinha um
Não sei nem como era
De tarde jogávamos dominó, futebol, brincávamos de pegar ou simplesmente brigávamos
Subir nas árvores era rotina
De tempos em tempos íamos às praias
Praia próximas, cheias de pedaras
Muito diferentes de Laguna
Até queanos depois
Meu pai fez uma casa na praia do Balneário
Lá aprendi a nadar com uma menina que nunca mais vi após aquelas férias era alegre, muito querida
E mergulhava
Pulava das pedras
Um dia errei
Era raso
Levei o mundo nos ombros e quando mergulhei do trapiche, fugindo do guarda da Esso
Não agüentei nadar até a margem, a praia
Disse para o Jônatas, vou parar, o braço sangrando
Tinha querido me abraçar aos pilares do trapiche
Ele, simplesmente, me disse, bóie
Assim fui sendo rebocado até a praia
Nunca dizia nada em casa apanhava
Mas na praia do Balneário, fase dos quinze anos, andava vendo as luzes da Ilha
Que maravilha!
E os pescadores
Lançando suas redes
Pegavam peixes, alguns brilhavam
A areia mole, o barulho das marolas, algumas gaivotas, assim era a noite
Maravilhosamente silenciosa
Não existia televisão nem novela
Genial
Quando muit
Depois de aprender
Jogávamos canastra
Aprendi a roubar
Ganhava sempre desisti
Perdeu a graça melhor arriscar
Minha irmã
Contudo continou trapacenado
Assim, em Laguna, depois de levar uma surra durante um mês, descobri que ela escondia tudo na dobra das calças
Não valeu!
E em Laguna
O trapiche, os botos, as dunas, que tempos bonitos
Naquela época os olhos, os ouvidos, o nariz, o paladar, tudo funcionava mostrando as maravilhas do nos cercava
A poluição não chegara
Voltei lá depois de alguns anos
A praia do Balneário vai vira pista de automóveis
As dunas são a base de filas de prédios
Ainda que vazios durante os anos
Cobriram o espaço dos caranguejos
E no verão, trazem gente demais, e lixo, e barulho, e escondem o mar
Bela e pobre Santa Catarina
Desperdiçou tanto
Ganhou alguns postos de trabalho
Perdeu outros, destruiu a Natureza...
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terça-feira, 7 de setembro de 2010
Tempo de férias
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relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
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setembro 07, 2010
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